Primeiros passos, primeiras imagens

Os primeiros dias a fazer algo diferente são sempre dias de adaptação. As férias, as viagens ou as caminhadas não são excepção. Neste meu caso, de fazer a Rota Vicentina, é conseguir adaptar-me ao peso da mochila, ao ritmo de caminhar, ao andar na areia – mais exigente e mais lento –  ou às coisas que preciso fazer ao fim do dia: alongamentos, lavar meias, estender roupa, e fazer o jantar, se for o caso.  Nos primeiros dias é provável que ainda não consiga estar totalmente imerso na aventura, ainda vou pensando no trabalho que deixei e no que tenho para fazer quando voltar. E ainda habituar-me a tirar algumas fotografias com o telemóvel, porque senão não as consigo colocar online durante estes dias de caminhada!

O porto de Porto Covo.

O porto de Porto Covo.

Uma das muitas pequenas praias isoladas que polvilham a costa.

Uma das muitas pequenas praias isoladas que polvilham a costa.

Milfontes à vista! Mas primeiro uma pausa! :)

Milfontes à vista! Mas primeiro uma pausa! :)

Pergunto-me também no que quero exactamente desta viagem, ou no que quero tirar daqui. Sei que quero testar a minha capacidade física, a minha capacidade de me organizar e a minha motivação. Junto com isso, saber se sou capaz de escrever aqui regularmente durante uma viagem. (E hoje, apanhei um PC livre no hostel e resolvi aproveitar!) Mas acima de tudo, sei que quero conhecer a pé a parte mais bonita e selvagem da costa Portuguesa e encher-me com estas paisagens até rebentar! E é isto mesmo que me faz levantar cada um destes dias de manhã. E que, ao ver o mar imenso que se abre atrás de uma colina das dunas, ou a linha de costa interminável depois de mais uma curva nas falésias, me põe com um enorme sorriso na cara e uma satisfação incrível de estar aquí!

 

Um dos locais que mais gostei de ver no segundo dia, com umas estranhas marcas de erosão nas rochas.

Um dos locais que mais gostei de ver no segundo dia, com umas estranhas marcas de erosão nas rochas.

Um postal do segundo dia.

Um postal do segundo dia.

E a chegada triunfante a Almograve no segundo dia!

E a chegada triunfante a Almograve no segundo dia!

 

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E assim começa.

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…o primeiro dia. O primeiro dos dias até à ponta de Portugal e da Europa. Siga, que para a frente é que é caminho e há muito para andar! :)

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Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina. A caminhar.

Falésias, areia, dunas e trilhos. Paisagens deslumbrantes, mar a perder de vista. A parte mais bonita da costa Portuguesa, a mais selvagem e a mais bem preservada. Na primeira quinzena de Junho irei fazer grande parte da Rota Vicentina, entre Porto Covo e o Cabo de S. Vicente. Serão nove etapas, de um dia cada, num total de cerca de 180km feitos todos a pé.

RV1-letraselugares-1Em grande parte da sua extensão, a Rota Vicentina* tem duas alternativas de percurso: o Caminho Histórico, um itinerário rural, pelo interior da região, e o Trilho dos Pescadores, ao longo da costa, percorrendo falésias e praias, quase sempre com o mar à vista. O meu objectivo é fazer o máximo possível do Trilho dos Pescadores e percorrer o Caminho Histórico quando não tenho alternativa. Eu teria gostado de começar no verdadeiro ponto de início da Rota, na Igreja de Santiago do Cacém. Mas entre esta e Porto Covo (onde o Trilho dos Pescadores começa), são três etapas, portanto três dias extra a andar. Como eu trabalho no Alentejo Interior, já lá tenho azinheiras, esteva, sobreiros e terra seca com fartura. O que eu procuro nestes próximos dias é mar, falésias e areia, ver a vegetação dunar, o oceano sem fim, sentir o vento marítimo e absorver uma paisagem diferente da que tenho no meu dia-a-dia. Daí começar em Porto Covo, no início do Trilho dos Pescadores. A partir daí serão nove etapas até Sagres. Feito de seguida seriam nove dias, mas eu vou parar um ou dois pelo caminho para descanso e diversão, provavelmente em Odeceixe e na Carrapateira. E mais um dia no final, em Sagres.

Um dos objectivos secundários desta caminhada é conseguir fazer pequenas crónicas diárias (ou quase) sobre o que de interessante e singular vou encontrando por esta Costa abaixo. Decerto irei encontrar paisagens, pessoas e lugares especiais e vão ser várias as histórias para contar. Esta vai ser uma experiência única para mim, e o imprevisto também faz parte. O plano, por isso, é colocar pequenos textos e fotos durante a minha Rota, e espero conseguir cumprir.

RV_letraselugares_mapasEu já tinha decidido fazer-me a estes trilhos Vicentinos há vários meses, mas nas últimas semanas comecei a preparar-me a sério. O guia de campo – assim como o mapa – que a equipa da Rota Vicentina criou é muito útil, e dou-lhes os parabéns por ele. É muito completo, no entanto pequeno e simples de usar, tendo para cada etapa uma descrição do percurso, um mapa do mesmo, a ficha técnica, assim como dicas e avisos. O mapa conjuga todas as etapas, numa escala 1:55.000, que me parece suficiente para todo o percurso.

Tenho estado a preparar-me mentalmente para apanhar muito calor, para acordar cedo e descansar a meio do dia, e andei a escolher roupa o mais leve e fresca possível. Apesar de tudo, no início de Junho pode já fazer um calor considerável. Mas a ver como esteve o tempo estas últimas semanas, nublado e chuvoso, começo a pensar se, chegada a hora, não apanho uma surpresa e tenho de trocar o guarda-roupa escolhido.

Ao mesmo tempo, ao preparar a caminhada durante este fim-de-semana, reparei que tanto me entusiasmo, como me assusto. O entusiasmo vem das fotografias das paisagens, dos lugares que já conheci o ano passado e que quero voltar a explorar, da comida da região, no azul do mar vasto. Mas também me intimido ao pensar que serão nove dias sempre a caminhar, de mochila com tudo às costas e que irei fazê-lo sozinho. Mas isso ao mesmo tempo dá-me força, porque será a primeira vez que farei uma caminhada de vários dias seguidos. Vou fazer algo que ainda não vi nas fotos publicitárias da Rota, nem nos comentários à mesma: ir de mochilão às costas, começar numa ponta e só acabar em Sagres. Não será uma caminhada de um ou dois dias, só com água e um casaco e voltar para casa depois disso. Vão ser doze dias, sozinho, a percorrer o máximo da costa mais bonita e preservada do País. E já estou ansioso por começar!

O destino final. Cabo de São Vicente, Sagres - Julho de 2013

O destino final. Cabo de São Vicente, Sagres – Julho de 2013

 

* “A Rota Vicentina é uma grande rota pedestre no Sw de Portugal, entre a cidade de Santiago do Cacém e o Cabo de S. Vicente, totalizando 350 km para caminhar, ao longo de uma das mais belas e bem preservadas zonas costeiras do sul da Europa.” – para saber mais é ir a http://www.rotavicentina.com

 

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Moments in Morocco

Clibing up to a terrace during my first hours in Morocco, I was amazed with the view I could get from there. A miriad of other terraces, the tall minaret towers, a garden of parabolic antenas, the neighbour hanging his clothes, together with the sounds of the streets. There, I decided I would document the view over the balconies and terraces I would visit. Here they are, complemented with a few more quick shots. :)

Terrace view over Tangier

Terrace view over Tangier

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Roof and moutain tops in Chefchaouen

Chefchaouen's Blue

Chefchaouen’s blue

The mountains over the village.

The mountains over the village.

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A path in a sunny day

A stop with a mosque.

A stop with a mosque

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Fez, the old Borj Nord and the new Hotel

Hardworking, strong smelling tanneries

Hardworking, strong smelling, tanneries in Fez

Sunset over Fez

Sunset over Fez

Goodbye Tangier, farewell Morocco

Goodbye Tangier, farewell Morocco

 

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Lunchspot of the day

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Entre oliveiras, com vista para a Adiça.

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O pastor

(continuação do post anterior)

No regresso, pela ‘Senda del Cares’ nos Picos da Europa, tivemos a felicidade de encontrar um pastor que tinha acabado de descer do pasto de montanha onde tinha estado com as suas ovelhas e cabras. Vem passar uma noite à povoação e regressa para a serra na tarde do dia seguinte. Bem habituado a andar pela montanha estava ele, que me deixou esbaforido com o seu ritmo a andar! Deixou as ovelhas no monte, à solta, esperando que nada de mal lhes aconteça durante a noite. Porque este ano os lobos já lhe comeram sete animais, só a ele! Muito vê, e sente ele, dias a fio, sozinho na lá em cima com os seus animais. Contou-nos que no dia anterior tinha surpreendido um lobo a comer um rebeco acabado de matar. De Inverno a lareira está sempre acesa para lhe aquecer a casa, de pedra. Passa as noites encostado tanto quanto pode ao calor. Nem imagino o frio que deve sentir. De Verão passa lá meses seguidos sem descer às povoações, e os mantimentos de que precisa são lhe levados usando burros. Despedimo-nos no final no percurso, volvidos a perto de Poncebo e agrademos-lhe as histórias que nos contou. Com tanta conversa, e tantas histórias, esquecemo-nos de lhe perguntar o nome, ao pastor da montanha…

caminhando de volta

caminhando de volta

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Lunchspot of the day – almoço nas Montanhas

09 de Dezembro de 2013

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Parámos para comer a meio caminho na ‘Senda del Cares’. Estamos naquele que é o trilho pedestre mais popular dos Picos da Europa, serpenteando ao longo do desfiladeiro do Rio Cares, num caminho escavado na rocha a meia encosta. Felizmente, é época baixa e são poucas as pessoas com que nos cruzamos. Sentámo-nos nas pedras, numa curva iluminada pelo Sol, onde o rio e a rota fazem uma larga e irregular curva de Este para Sul, em direcção a Cain, a povoação do fim da linha.

O barulho da água a correr é uma presença constante. A força com que vem da nascente, a rolar incessantemente nas pedras do fundo, amplificado pelo eco do desfiladeiro. Esta é terra de ‘rebecos’ (camurça ou cabra-montesa) e de ‘urogallos’ (tetrazes), de lobos e até ursos. Nesta altura do ano ainda estão em altitudes mais elevadas na Serra, até que a neve os obrigue a descer até aos vales. Vimos grifos e corvos nessa manhã e um falcão a caçar astutamente entre encostas. A proximidade entre as faces do desfiladeiro é tão curta que a ave, pousada numa árvore, espera e observa numa das encosta, lançando-se em voo para a oposta assim que detectava um potencial almoço.

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