Moments in Morocco

Clibing up to a terrace during my first hours in Morocco, I was amazed with the view I could get from there. A miriad of other terraces, the tall minaret towers, a garden of parabolic antenas, the neighbour hanging his clothes, together with the sounds of the streets. There, I decided I would document the view over the balconies and terraces I would visit. Here they are, complemented with a few more quick shots. :)

Terrace view over Tangier

Terrace view over Tangier

MAR-letraselugares-2

Roof and moutain tops in Chefchaouen

Chefchaouen's Blue

Chefchaouen’s blue

The mountains over the village.

The mountains over the village.

MAR-letraselugares-4

A path in a sunny day

A stop with a mosque.

A stop with a mosque

MAR-letraselugares-7

Fez, the old Borj Nord and the new Hotel

Hardworking, strong smelling tanneries

Hardworking, strong smelling, tanneries in Fez

Sunset over Fez

Sunset over Fez

Goodbye Tangier, farewell Morocco

Goodbye Tangier, farewell Morocco

 

Publicado em Escrita, Fotografia, Viagens | Etiquetas , , , , , , , , , , , | Publicar um comentário

Lunchspot of the day

image

Entre oliveiras, com vista para a Adiça.

Publicado em Escrita | Publicar um comentário

O pastor

(continuação do post anterior)

No regresso, pela ‘Senda del Cares’ nos Picos da Europa, tivemos a felicidade de encontrar um pastor que tinha acabado de descer do pasto de montanha onde tinha estado com as suas ovelhas e cabras. Vem passar uma noite à povoação e regressa para a serra na tarde do dia seguinte. Bem habituado a andar pela montanha estava ele, que me deixou esbaforido com o seu ritmo a andar! Deixou as ovelhas no monte, à solta, esperando que nada de mal lhes aconteça durante a noite. Porque este ano os lobos já lhe comeram sete animais, só a ele! Muito vê, e sente ele, dias a fio, sozinho na lá em cima com os seus animais. Contou-nos que no dia anterior tinha surpreendido um lobo a comer um rebeco acabado de matar. De Inverno a lareira está sempre acesa para lhe aquecer a casa, de pedra. Passa as noites encostado tanto quanto pode ao calor. Nem imagino o frio que deve sentir. De Verão passa lá meses seguidos sem descer às povoações, e os mantimentos de que precisa são lhe levados usando burros. Despedimo-nos no final no percurso, volvidos a perto de Poncebo e agrademos-lhe as histórias que nos contou. Com tanta conversa, e tantas histórias, esquecemo-nos de lhe perguntar o nome, ao pastor da montanha…

caminhando de volta

caminhando de volta

Publicado em Escrita, Fotografia, Natureza, Viagens | Etiquetas , , , , , , , , , , , | Publicar um comentário

Lunchspot of the day – almoço nas Montanhas

09 de Dezembro de 2013

Image

Parámos para comer a meio caminho na ‘Senda del Cares’. Estamos naquele que é o trilho pedestre mais popular dos Picos da Europa, serpenteando ao longo do desfiladeiro do Rio Cares, num caminho escavado na rocha a meia encosta. Felizmente, é época baixa e são poucas as pessoas com que nos cruzamos. Sentámo-nos nas pedras, numa curva iluminada pelo Sol, onde o rio e a rota fazem uma larga e irregular curva de Este para Sul, em direcção a Cain, a povoação do fim da linha.

O barulho da água a correr é uma presença constante. A força com que vem da nascente, a rolar incessantemente nas pedras do fundo, amplificado pelo eco do desfiladeiro. Esta é terra de ‘rebecos’ (camurça ou cabra-montesa) e de ‘urogallos’ (tetrazes), de lobos e até ursos. Nesta altura do ano ainda estão em altitudes mais elevadas na Serra, até que a neve os obrigue a descer até aos vales. Vimos grifos e corvos nessa manhã e um falcão a caçar astutamente entre encostas. A proximidade entre as faces do desfiladeiro é tão curta que a ave, pousada numa árvore, espera e observa numa das encosta, lançando-se em voo para a oposta assim que detectava um potencial almoço.

Image

Publicado em Escrita | Etiquetas , , , , , | 1 Comentário

Provando a Austrália…

8/11/2013

AUS-letraselugares-5

Há um ano atrás regressava a Portugal depois de três semanas na Austrália. Foram as melhores férias de sempre. Um ano depois, ainda acho que foram. Foi uma viagem ao outro lado do mundo, vinte e seis horas de avião, dezasseis mil e duzentos quilómetros, dez fusos horários, e algumas refeições manhosas.

Uma vez lá, a nossa viagem pela Austrália foi como pedir o pijama de sobremesas num restaurante gourmet. Tanta delícia para adoçar a boca i.e. tanto sítio novo para experienciar, que acabámos por decidir comer um bocadinho de cada sítio. E fomos ficando satisfeitos, um bocadinho de cada vez.

Experimentámos cidade, praia, mar, campo, selva, rios, campismo, hostel, campervan, carro, jipe, avião, barco, ver a lua cheia na praia em Stradbroke Island, ver o pôr-do-sol sobre as plantações de cana-de-açúcar de Mackay, acordar na tenda e fugir do calor, caminhar na floresta, baptismo de mergulho, procurar Koalas nos eucaliptos, ver lagartos a acordar ao sol, esperar pelos ornitorrincos, vislumbrar desde o carro um Kanguru a saltar, ter a visita de um Dingo ao jantar na praia, dormir com mosquitos e moscardos, a Ópera de Sidney, a Grande Barreira de Coral (cada vez mais destruída…), o sotaque Australiano, os adeptos de rugby, a cerveja cara, as florestas de eucaliptos, conduzir 2000km numa semana, voar outro tanto, estivemos em Brisbane, conduzimos até Cairns, voámos para Sidney, e para Fraser Island de barco, estações de serviço, aeroportos, rent-a-car, conduzir na praia, em areia, no alcatrão, desviar dos buracos, horas a fio parados por obras na estrada, um cappuccino do Alberto para pequeno-almoço, refeições de enlatados à beira da estrada, o melhor hambúrguer de sempre – numa estação de serviço -, as Joe’s Pies em Sidney, noodles instantâneos para jantar na traseira da camper, ver baleias da praia, tartarugas e medusas nas baías das falésias, ir ao mar, aquela mar azul e brilhante do Pacífico, calções e chinelos em permanência, acordar a meio da noite com a barulheira dos morcegos da fruta e despertar a maldizer as catatuas, dos trópicos de Eungella ao clima temperado de Sidney, visitar amigos, reforçar laços, planear viagens futuras, negar a despedida inevitável… Três décadas celebradas na praia, ao pôr-do-sol, com espumante barato e os melhores amigos.

Fica-se cheio, e ainda com vontade de continuar a comer…

 Foi esta diversidade que fez desta viagem algo inesquecível: a variedade de locais, a versatilidade que tivemos de ter, as opções e a sensação que tudo valeu a pena. Fica tão longe… mas dá tanta vontade de voltar lá depressa.

AUS-letraselugares-23

Foi em grande parte graças ao Alberto e à Paola que esta viagem foi tão espantosa e a eles quero agradecer a companhia, os risos, a logística, a comida, o companheirismo, a troca de experiências de vida, a força que eles têm e a força que nos deram.

AUS-letraselugares-24Grazie mille, fratelli!

Publicado em Escrita, Fotografia, Viagens | Etiquetas , , , , , , , , , , | Publicar um comentário

Lunch Spot of the day

image

Castelo de Mértola

Realmente existem pequenos luxos que nos aparecem de repente. E que fazem valer a pena as constantes viagens em trabalho. Como almocar com esta vista. Pão alentejano do dia, queijo fresco de cabra, pepino da horta. Só é pena o barulho dos carros a passar por tras.

Publicado em Escrita | Publicar um comentário

Regresso à Serra do Caldeirão

8/8/2013

Já tinha saudades do Caldeirão.

Das subidas íngremes e descidas vertiginosas, em caminhos de terra batida. São desafiantes de pick-up, exaustivas quando feitas a pé. De ver relevo, altos e baixos, vistas longínquas e neblina no topo pela manhã cedo. Ter a possibilidade de sair do alcatrão e subir às cumeadas e ver paisagens bem diferentes. Dos seus medronheiros e da sua aguardente de medronho, a melhor de Portugal, a par com a Monchique! Dos sobreiros, mais ou menos descascados da sua cortiça. Das encostas cheias de matos, polvilhadas de árvores aqui e ali. Em alguns sítios ainda pretas, prova de um local ainda a recuperar de fortes incêndios. Das suas galerias ripícolas ainda saudáveis, sobretudo mais a Oeste, com freixos e choupos altos e silvados densos.

De falar com as gentes da Cortelha. De passar pelas suas aldeias e povoações, dispersas pelos montes. As sedes de freguesia mostram que ainda têm muito para oferecer a quem lá passa: arranjam ruas, recuperam as casas, restauram as fachadas principais, organizam festas e festivais para manter e trazer gente. Já algumas povoações não passam de meia dúzia de casas e uns palheiros, sem sequer um café ou uma tasca. Acho incrível como estes lugares sobreviveram e sobrevivem nos dias de hoje. Mas são estes sítios que ainda mantêm a vida na Serra. Com casas meias desfeitas, outras arranjadas. Contando umas e outras, tem-se a noção do que outrora foram e ao que hoje estão reduzidas. Estarão condenados a desaparecer, quando os últimos velhos morrerem. É uma Serra dura, como todas as Serras.

Publicado em Escrita, Fotografia, Natureza, Portugal | Etiquetas , , , , , , , , , | Publicar um comentário

Uma imperial ao fim do dia

Lisboa, 15/6/2013

Estão dois jovens guineenses a discutir política na mesa ao lado. Um deles tem chuteiras e calções de futebol, com meias altas de um verde vibrante. O outro, camisa às riscas e botas pretas. Na mesa em frente quatro velhotes discutem calmamente, rindo das memórias de cada um. Um deles repara que já são oito horas e abalam os quatro, cada um para sua casa jantar. Em reflexão, constato que existem aldeias em Portugal que caberiam inteiras só aqui na Alameda. É brutal a desproporção entre os territórios urbanos em Portugal. Sentado na relva, um grupo de famílias indianas aproveita o último sol do dia. Três homens, um deles mais jovem, três mulheres de saari e várias crianças. Miúdos brasileiros brincam no parque infantil, misturados com outros, portugueses, africanos, asiáticos, com ou sem os pais. Um bocadinho do mundo cabe nesta praça de Lisboa. A dimensão das grandes cidades tem destas coisas: engloba gente de todo o mundo, é possível ver, conhecer e aprender um pouco de muitas culturas. É poder viajar sem sair da própria cidade.

Publicado em Escrita, Portugal | Etiquetas , , , , , , , | Publicar um comentário

“As cinco coisas que eu mais gosto…em Amesterdão”

Foi com uma ponta de orgulho e muita felicidade que li o e-mail que me dizia que o meu texto iria ser publicado na secção dos leitores da Fugas. Eu sei que nas secções de leitores é mais fácil publicar (e para algumas pessoas são secundárias) mas ainda assim, bolas, é o Publico! :) Chega para eu ficar contente! Caso estejam interessados, aqui fica.

Fugas_Amesterdao_NCuradoCurioso que as cidades onde eu vou vivendo são quase sempre aquelas em que tiro menos fotos. À procura de fotos para completar este post reparei que em Amesterdão isso foi ainda mais flagrante. Ainda assim, acho que estas ilustram bem o texto publicado.

Publicado em Escrita, Fotografia | Etiquetas , , , , , , , , | 3 Comentários

Cidade suspensa

Ou Uma ida ao Chiado num Domingo de chuva

(Escrito em Dezembro de 2010, um exercício de reportagem para um workshop de Escrita de Viagens)

Desta não estava á espera. Numa tarde de Domingo no coração do Chiado contava com tudo menos encontrar as ruas…vazias. Afinal, estamos em plena época Natalícia na zona nobre de compras de Lisboa. “É da chuva.” Diz-me o vendedor a quem compro uma dúzia de castanhas assadas. “Isto está sempre movimentado, sempre, todos os dias. Hoje está fraco por causa da chuva.” “Chuva?”, penso eu. Constato que os anos passados na Holanda me deixaram imune às chuvas leves, verdadeiros mini-dilúvios para o comum dos Portugueses. “Eu estou aqui sempre aos Domingos, a não ser que chova mesmo muito.” Há mais de quarenta anos, segundo ele, que tem a sua banca naquele local, na esquina entre a Rua da Misericórdia e o Largo de Camões. Deixo-o, atarefado a colocar mais carvão no assador e sem grande vontade para conversas de circunstância. Os Portugueses são adversos à chuva. Com o mau tempo os carros dominam nas ruas, e as pessoas aquecem-se em casa.

Entrando pela Rua do Norte, fico com as calçadas empedradas do Bairro Alto só para mim. Estas estão ainda mais desertas, como que a antecipar algo. Talvez o fim da chuva, ou da chegada da noite e dos seus habitantes. Ou está ainda de ressaca da noite anterior. O Bairro Alto é conhecido como uma das zonas mais populares da noite lisboeta, com os seus incontáveis bares, cafés e casas de fado, que se enchem até de madrugada. Aqui convivem lojas de design de moda e tatto-shops, paredes meias com adegas tradicionais, como se sempre assim tivesse sido. As roupas estendidas sobre a minha cabeça e o cantar estridente dum canário denunciam que aqui também mora gente. Ouço, á distância, duas velhas a falar na varanda. Uma ainda de robe, como provavelmente passa a maior parte dos seus dias, a outra em local incerto. “Ah, isto o Mundo agora é da juventude. Isto agora é deles.” Calam-se enquanto eu passo, como que a esconder a conversa. Já comigo afastado continuam “Eu já estou pronta para ir quando a altura chegar.” “Ah, Senhora não diga isso.” – responde a vizinha aflita. De facto, este bairro tem cada vez mais moradores jovens, sinal da sua popularidade em Lisboa.

No topo da colina, a amplidão e largura da Rua D. Pedro V contrasta com as travessas escuras do Bairro Alto. Do miradouro de D. Pedro de Alcântara, olho os telhados da Baixa, e a neblina cinzenta que põe a cidade em suspenso. Mais atrás, o Castelo de São Jorge, a servir igualmente de pano de fundo às fotografias dos turistas que visitam a praça. Fora eles, apenas um casal de namorados, aconchegado debaixo do guarda-chuva. Mais abaixo, o elevador da Glória desperta-me a atenção. Os dois ascensores amarelos estão parados lado a lado a meio a colina, como que a pousar para um quadro imaginário. Dois rectângulos de cor sobrepondo-se a tudo o resto. Já a descer a Rua da Misericórdia é preciso cautela: a calçada portuguesa pode pregar partidas depois de uma chuvada.

Ao fim do dia, o largo do Chiado já está mais vivo. Já muitas pessoas se cruzam com as mãos cheias de sacos com logótipos facilmente reconhecíveis. Hoje em dia, as grandes multinacionais dominam os espaços do Chiado. Exibem grandes letreiros com nomes que facilmente se encontram em qualquer outra cidade do mundo. Por dentro ocupam espaços amplos, tentando aproveitar o glamour deste local, e a grandiosidade nos edifícios. Por fora, os Grandes Armazéns do Chiado mantêm-se altivos e imponentes, com a sua fachada histórica recuperada depois do incêndio de 1988. Para mim é das mais representativas da zona, um símbolo do auge do Chiado durante o século XIX. Mas por dentro desiludem, ao se terem tornado em mais um centro comercial vulgar, de lojas também vulgares, mas nem por isso menos concorridas.

Por entre o domínio do franchising resistem firmes as lojas clássicas do Chiado, em funcionamento há décadas e com vitalidade para muito mais. Na Rua Garrett encontro a Ourivesaria Aliança, com grandes carpetes verdes, dois sofás recuperados do século XIX, e o tecto trabalhado. Convida a entrar, de facto. Fosse eu rico e talvez houvesse prenda de Natal para a mãe. Mais abaixo, a Casa Pereira. Uma das pequenas montras de vidro exibe uma panóplia de bules e cafeteiras, chávenas e pires, cafés e chás, que enchem o olho e a montra. A outra tem uma variedade incrível de chocolates, afinal, dos melhores amigos do café. Imagino os aromas dos grãos recém-moídos a encher o ar e dirijo-me à porta. Oh não..! Está fechada… O dono encontra-se ao fundo, atrás da registadora, e eu sinto uma pequena esperança. Bato no vidro a perguntar, mas o seu agitar de mãos confirma-o. Bolas, vim no dia errado…

Ao entrar de novo no metro fico a olhar. O Chiado é um local de passagem, onde os Lisboetas pausam. Seja para uma bica e um pastel de nata n’ “A Brasileira”, ou para um cappuccino e cheesecake no mais recente café moderno. Isto é, se não chover.

Publicado em Escrita, Portugal | Etiquetas , , , , , | 1 Comentário