Até Santiago de Compostela a pé. Assim começa.

Em Rubiães tudo é sossego. Sente-se a calma de um domingo à tarde. O sol bate na entrada da Casa de São Sebastião e o seu calor reforça a moleza depois de um dia caminhada.

Saímos de Ponte de Lima de manhã, eram para aí nove e meia. Passar a ponte de pedra sobre o Rio Lima é uma óptima maneira de começar o Caminho Português de Santiago! É imponente, sólida, histórica e com uma vista fenomenal sobre o largo caudal do rio. Grupos de pessoas, de mochila às costas, botas de caminhada e roupa fluorescente juntavam-se e arrancavam dali.

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A ponte e os caminhantes.

Vimos bastante gente a caminhar. Iamos passando por grupos pequenos, duas, três pessoas; o maior que vimos eram seis. Quase todos estrangeiros. A dois quilómetros de Rubiães parámos no “Roulote Bar”, na freguesia de Águas Longas, Paredes de Coura e só ouvimos Alemão. Gente de três mesas diferentes falava entre si, suponho que a tocar impressões do caminho. Além de nós, só haviam mais dois portugueses no bar. Os mesmos dois únicos caminhantes lusos que vimos durante o dia todo. Mostra bem a relevância que cada população dá ao pedestrianismo e ao tipo de férias que fazem, mas também o valor que esta actividade pode ter para regiões rurais e/ou despovoadas. Rubiães, uma freguesia perdida do interior Minhoto, tem pelo menos 5 alojamentos, além do alberque de peregrinos, e dois bares/restaurantes. Pergunto-me se teria sequer algum, se o fim de uma das etapas do caminho de Santiago não fosse aqui.

O caminho no Concelho de Paredes de Coura é bem bonito, com muros de pedra antigos a ladear grande parte do trilho e carvalhos a fazerem sobra. Antes disso, a subida até ao Alto da Portela Grande desde Labruje fez jus à dificuldade que lhe dá fama. Ainda em Ponte de Lima vêm-se bosques ribeirinhos ainda bem conservados, com árvores altas e copas frondosas. Um regalo para os meus olhos de biólogo.
O primeiro dia já está, amanhã serão outros 18 quilómetros. Em total, eu e o meu Pai faremos mais de 150 quilómetros em 7 dias, até chegar, finalmente, a Santiago de Compostela. Até lá, “bom caminho”!

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"Bom caminho", no seu inicio.

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