Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina. A caminhar.

Falésias, areia, dunas e trilhos. Paisagens deslumbrantes, mar a perder de vista. A parte mais bonita da costa Portuguesa, a mais selvagem e a mais bem preservada. Na primeira quinzena de Junho irei fazer grande parte da Rota Vicentina, entre Porto Covo e o Cabo de S. Vicente. Serão nove etapas, de um dia cada, num total de cerca de 180km feitos todos a pé.

RV1-letraselugares-1Em grande parte da sua extensão, a Rota Vicentina* tem duas alternativas de percurso: o Caminho Histórico, um itinerário rural, pelo interior da região, e o Trilho dos Pescadores, ao longo da costa, percorrendo falésias e praias, quase sempre com o mar à vista. O meu objectivo é fazer o máximo possível do Trilho dos Pescadores e percorrer o Caminho Histórico quando não tenho alternativa. Eu teria gostado de começar no verdadeiro ponto de início da Rota, na Igreja de Santiago do Cacém. Mas entre esta e Porto Covo (onde o Trilho dos Pescadores começa), são três etapas, portanto três dias extra a andar. Como eu trabalho no Alentejo Interior, já lá tenho azinheiras, esteva, sobreiros e terra seca com fartura. O que eu procuro nestes próximos dias é mar, falésias e areia, ver a vegetação dunar, o oceano sem fim, sentir o vento marítimo e absorver uma paisagem diferente da que tenho no meu dia-a-dia. Daí começar em Porto Covo, no início do Trilho dos Pescadores. A partir daí serão nove etapas até Sagres. Feito de seguida seriam nove dias, mas eu vou parar um ou dois pelo caminho para descanso e diversão, provavelmente em Odeceixe e na Carrapateira. E mais um dia no final, em Sagres.

Um dos objectivos secundários desta caminhada é conseguir fazer pequenas crónicas diárias (ou quase) sobre o que de interessante e singular vou encontrando por esta Costa abaixo. Decerto irei encontrar paisagens, pessoas e lugares especiais e vão ser várias as histórias para contar. Esta vai ser uma experiência única para mim, e o imprevisto também faz parte. O plano, por isso, é colocar pequenos textos e fotos durante a minha Rota, e espero conseguir cumprir.

RV_letraselugares_mapasEu já tinha decidido fazer-me a estes trilhos Vicentinos há vários meses, mas nas últimas semanas comecei a preparar-me a sério. O guia de campo – assim como o mapa – que a equipa da Rota Vicentina criou é muito útil, e dou-lhes os parabéns por ele. É muito completo, no entanto pequeno e simples de usar, tendo para cada etapa uma descrição do percurso, um mapa do mesmo, a ficha técnica, assim como dicas e avisos. O mapa conjuga todas as etapas, numa escala 1:55.000, que me parece suficiente para todo o percurso.

Tenho estado a preparar-me mentalmente para apanhar muito calor, para acordar cedo e descansar a meio do dia, e andei a escolher roupa o mais leve e fresca possível. Apesar de tudo, no início de Junho pode já fazer um calor considerável. Mas a ver como esteve o tempo estas últimas semanas, nublado e chuvoso, começo a pensar se, chegada a hora, não apanho uma surpresa e tenho de trocar o guarda-roupa escolhido.

Ao mesmo tempo, ao preparar a caminhada durante este fim-de-semana, reparei que tanto me entusiasmo, como me assusto. O entusiasmo vem das fotografias das paisagens, dos lugares que já conheci o ano passado e que quero voltar a explorar, da comida da região, no azul do mar vasto. Mas também me intimido ao pensar que serão nove dias sempre a caminhar, de mochila com tudo às costas e que irei fazê-lo sozinho. Mas isso ao mesmo tempo dá-me força, porque será a primeira vez que farei uma caminhada de vários dias seguidos. Vou fazer algo que ainda não vi nas fotos publicitárias da Rota, nem nos comentários à mesma: ir de mochilão às costas, começar numa ponta e só acabar em Sagres. Não será uma caminhada de um ou dois dias, só com água e um casaco e voltar para casa depois disso. Vão ser doze dias, sozinho, a percorrer o máximo da costa mais bonita e preservada do País. E já estou ansioso por começar!

O destino final. Cabo de São Vicente, Sagres - Julho de 2013

O destino final. Cabo de São Vicente, Sagres – Julho de 2013

 

* “A Rota Vicentina é uma grande rota pedestre no Sw de Portugal, entre a cidade de Santiago do Cacém e o Cabo de S. Vicente, totalizando 350 km para caminhar, ao longo de uma das mais belas e bem preservadas zonas costeiras do sul da Europa.” – para saber mais é ir a http://www.rotavicentina.com

 

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