Mini-Road-Trip-de-Fim-de-Semana nas Terras Altas da Escócia. Num Fiat 500 branco.

Tentámos fazer o (quase) impossível. Cobrir todos os pontos turísticos e semi-turísticos das Terras Altas da Escócia num fim-de-semana! Com apenas dois dias o plano inicial era fazer Glasgow – Loch Ness e Inverness e voltar. Mas o plano foi crescendo e nesses mesmos dois dias o percurso passou a ser Glasgow – Loch Lomond – Glen Coe – Kinlochleven – Fort William – desvio ao sopé do Ben Nevis  – Spean Bridge e Roy Bridge – Fort Augustus – Drumnadrochit / Loch Ness (e isto apenas no primeiro dia) – Inverness  – Aviemore – Cairngorms Mountains – Aberfeldy – Fortingall / Loch Tay / Glen Lion – Perth – Stirling – Glasgow. E de preferência com paragens em cada um dos sítios (excepto Perth e Stirling). Parecia simples…

quase lá…

E para a maioria das pessoas seria completamente possível, afinal de contas são apenas 300 km até Inverness, 330 km de volta, e devia demorar entre 10 a 12 horas total. E quando vimos num folheto de um operador turístico que faziam esta volta, de autocarro e com paragens, em apenas um dia – aliás, em 10horas! – ficámos com a moral em alta que iríamos consegui-lo em dois dias, nas calmas. Mas sabendo que a nossa média de viagem é cerca de três a quatro vezes superior ao comum cidadão turista, seja a pé ou de carro, estava expectante no que é que isto ia dar… E realmente a nossa tendência natural para paragens fotográficas a cada 10 metros de caminho não ia ajudar.

cá está ele

No rent-a-car do aeroporto calhou-nos um Fiat 500 quase novo e… branco. Branco! O Fiat 500 era tão branco, tão branco que por fora parecia que sido laminado de fresco no dia anterior e ainda brilhava; e por dentro, cada vez que olhava para o tablier lembrava-me de um frigorífico ou uma máquina de lavar! Mas, apesar do aspecto esterilizado de uma sala de operações, o 500 acabou gradualmente por se tornar o terceiro companheiro de viagem. Tal era a concentração exigida para o manobrar e operar enquanto o nosso cérebro nos está constantemente a enviar para o lado direito da estrada (em direcção a um choque frontal com um qualquer incauto condutor britânico), que nos tivemos de conhecer bem, para conseguirmos ir juntos para algum lado.

aaah, está tudo ao contrário!!

Esse acabou mesmo por ser mesmo o primeiro, e principal, desafio da nossa curta viagem: a infame condução do lado esquerdo da estrada! Ou como 98% da população mundial lhe chama, o lado errado da estrada! É incrível a concentração exigida para 1) nos mantermos na faixa certa (evitando o tal choque frontal), 2) não entrarmos em contramão nos cruzamentos (outro choque frontal), 3) usar a alavanca das mudanças com a mão esquerda, sendo que as diferentes velocidades estão na mesma posição que em carros com volante na esquerda (ou seja, a primeira é a mais afastada e a quinta a mais próxima) e 4) convencermo-nos que a nossa mente está sã e que não estamos a conduzir usando o reflexo de um espelho (sem nos distrairmos ao ponto de ter mais um choque de frente, lá está). A sensação na estrada era a de ter tirado a carta á apenas duas semanas e ainda estar naquela fase de esforço contínuo em tentar conciliar a operação do carro com o trânsito em redor. Acho que se a porta do condutor tivesse arame farpado, tinha chegado a domingo á noite com a mão direita toda rasgada, tal foram as vezes que dei um murro inadvertido na porta em busca das mudanças! Volta e meia lá se ouvia um baque no lado direito do carro…

Mas o nosso 500 tinha uma coisa realmente bestial: o tecto transparente. Que nos permitiu tanto aproveitar os raros e efémeros raios de Sol directamente sobre nós, como nos maravilharmos com os topos dos pinheiros-silvestres (Scots Pines, Pinus sylvestris), e dos cumes de algumas ravinas por onde passámos, ambos visíveis apenas através do tecto de vidro.

 E  afinal como é que correu a viagem? Não é difícil adivinhar que ficou um pouco mais…curta que o que inicialmente planeado… Mas não menos fascinante que o que esperávamos.

[a segunda parte desta crónica virá dentro de dias.]

“…there be Portuguese drivers in the roads, beware.”

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